Novo capítulo da política monetária: Copom mantém Selic em 15% e Fed mantém juros estáveis — um cenário que molda os mercados

29/01/2026 • por Admim
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Novo capítulo da política monetária: Copom mantém Selic em 15% e Fed mantém juros estáveis — um cenário que molda os mercados

Em uma “Super Quarta” de decisões de política monetária global, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira (28) a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, repetindo o patamar pelo menos pela quinta re

Brasil: Selic alta e perspectiva de cortes moderados

O Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano, um nível considerado extremamente elevado em comparação com padrões históricos recentes no Brasil e referência entre economias emergentes.

Segundo o próprio comunicado do Copom, a manutenção ficará vigente até a próxima reunião, com um foco explícito em iniciar um ciclo de cortes graduais possivelmente a partir de março de 2026, desde que os dados recentes de inflação e atividade econômica confirmem uma trajetória de convergência para a meta de inflação.

O Banco Central brasileiro enfatizou que a serenidade será prioridade no ritmo e intensidade dos cortes, uma vez que a inflação ainda mostra alguma resiliência e fatores de incerteza — tanto externos quanto domésticos — permanecem presentes.

Estados Unidos: ritmo de juros pausado

No mesmo dia, o Fed decidiu manter sua taxa de juros entre 3,50% e 3,75%, em uma votação em que dois membros se posicionaram a favor de cortes, mas a maioria optou pela estabilidade diante de um quadro de inflação ainda acima da meta e crescimento econômico considerado “sólido”.

Essa manutenção representa uma pausa na sequência de reduções implementadas em 2025 e sinaliza que o banco central americano pretende acompanhar os dados econômicos de forma cautelosa antes de retomar um ciclo de cortes que o mercado já antecipava.

📈 Repercussões imediatas nos mercados

💹 Mercado de ações e risco global

A manutenção simultânea de juros elevados e estáveis tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos tem sido interpretada como um sinal de estabilidade, embora ainda sob forte monitoramento de riscos macroeconômicos.

No Brasil, o principal índice de ações, o Ibovespa, chegou a renovar máximas históricas durante a sessão, refletindo que os investidores estão calibrando suas posições em um ambiente de juros elevados e expectativa por cortes moderados adiante.

Nos Estados Unidos, os mercados reagiram de forma relativamente discreta à decisão do Fed, com os índices de ações se mantendo estáveis em meio à confirmação do cenário esperado e à sinalização de continuidade no acompanhamento dos dados econômicos antes de qualquer ajuste adicional.

Câmbio e diferencial de juros

A manutenção da Selic no Brasil em 15% amplia o diferencial de juros entre ativos brasileiros e americanos. Um diferencial alto costuma atrair fluxos de capital para mercados emergentes, em busca de rentabilidades maiores — uma lógica que pode fortalecer o real frente ao dólar no curto prazo.

Ao mesmo tempo, a estabilidade dos juros nos EUA reduz a atratividade de ativos norte-americanos relativamente menos remuneradores, o que também favorece a entrada ou permanência de capital em mercados com juros reais mais compensadores.

Perspectivas de curto e médio prazo

Brasil: início de cortes e política monetária cautelosa

Embora o Copom tenha mantido a Selic por ora, os mercados já incorporam a possibilidade de cortes a partir de março de 2026. Isso indica que agentes econômicos começam a precificar uma trajetória descendente de juros, embora com ritmo moderado e dependente de dados concretos de inflação e atividade.

Esse cenário pode favorecer ativos de renda variável e setores sensíveis a crédito no Brasil (como consumo e investimentos empresariais), especialmente se os cortes se confirmarem e a inflação continuar convergindo para a meta.

🇺🇸 EUA: paciência antes de novos cortes

Nos Estados Unidos, a mensagem do Fed foi de paciência e de manutenção do quadro de monitoramento intenso, antes de avançar com cortes adicionais. Essa prudência aumenta a percepção de estabilidade, ao mesmo tempo em que limita movimentos abruptos nos mercados de capitais globais.

A perspectiva contínua de juros estáveis nos EUA também significa que o câmbio pode permanecer influenciado fortemente pelos diferenciais com países emergentes, criando oportunidades — e riscos — para estratégias de investimento e arbitragem financeira.

🧠 Conclusão: mercado calibrando entre estabilidade e transição

A decisão de manter a Selic em 15% no Brasil e os juros estáveis nos EUA em uma mesma “Super Quarta” cria um ambiente de elevado foco em dados econômicos e sinais futuros de política monetária, ao mesmo tempo em que proporciona estabilidade de curto prazo aos mercados financeiros.

Para investidores, isso significa:

  • Cenário de juros ainda altos no Brasil favorece ativos com retorno atrelado a juros elevados no curto prazo, como títulos de renda fixa e estratégias de carry trade.
  • Expectativa de cortes graduais na Selic a partir de março pode impulsionar setores mais sensíveis à redução do custo de capital.
  • Estabilidade nos EUA reduz volatilidade global e apoia um ambiente de aversão moderada ao risco, com foco em fundamentos econômicos.

Estabilizado no presente, atento às possíveis transições monetárias no futuro, em um contexto de inflação ainda acima de metas em algumas regiões e com focos distintos de política econômica entre Brasil e Estados Unidos.