COPOM reduz Selic para 14,75% e inicia ciclo de calibragem em meio a incertezas globais e inflação acima da meta
18/03/2026 • por Admim
O COPOM cortou a Selic para 14,75% ao ano e iniciou ajuste na política monetária. Decisão ocorre em cenário de maior incerteza global, inflação acima da meta e expectativas desancoradas no médio prazo.
- Decisão de política monetária e início de ciclo de ajuste
O Comitê de Política Monetária (COPOM) decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano, marcando o início de um processo de calibragem da política monetária. Segundo o comunicado, a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, ao mesmo tempo em que busca suavizar oscilações da atividade econômica e estimular o pleno emprego. - Ambiente externo mais incerto pressiona decisões
O cenário internacional se deteriorou, com destaque para o acirramento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Esse ambiente elevou a volatilidade nos preços de ativos e commodities, impactando as condições financeiras globais. O COPOM avalia que esse contexto exige maior cautela por parte de economias emergentes, incluindo o Brasil, especialmente diante da imprevisibilidade sobre a duração e os efeitos desses conflitos. - Impactos potenciais via commodities e cadeias globais
O Comitê ressalta que acompanha de forma prospectiva os efeitos dos conflitos, especialmente sobre cadeias de suprimento globais e preços de commodities. Esses fatores têm impacto direto e indireto sobre a inflação doméstica, aumentando a incerteza nas projeções e dificultando a definição de cenários mais claros para a política monetária. - Atividade econômica mostra moderação gradual
No cenário doméstico, os indicadores seguem trajetória de desaceleração da atividade econômica, conforme esperado pelo Banco Central. Dados do final de 2025 já apontavam essa moderação. Apesar disso, o mercado de trabalho ainda apresenta resiliência, fator que pode sustentar pressões inflacionárias, principalmente no setor de serviços. - Inflação desacelera, mas segue acima da meta
As leituras mais recentes indicam algum arrefecimento da inflação cheia e de seus núcleos, mas os níveis permanecem acima da meta estabelecida. Esse comportamento reforça a necessidade de manutenção de uma política monetária ainda restritiva, mesmo com o início do processo de ajuste na taxa de juros. - Expectativas permanecem desancoradas
As expectativas de inflação captadas pela pesquisa Focus continuam acima da meta. Para 2026, a projeção está em 4,1%, enquanto para 2027 atinge 3,8%. Já a projeção do próprio COPOM para o terceiro trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — é de 3,3% no cenário de referência. O comunicado destaca que a desancoragem das expectativas segue sendo um fator relevante de risco. - Balanço de riscos se deteriora com cenário global
Os riscos inflacionários, tanto de alta quanto de baixa, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os vetores de alta, o Comitê destaca a possibilidade de desancoragem prolongada das expectativas, maior persistência da inflação de serviços e impactos inflacionários decorrentes de políticas econômicas ou de uma taxa de câmbio mais depreciada.
Por outro lado, os riscos de baixa incluem uma desaceleração econômica mais intensa no Brasil, um arrefecimento global mais pronunciado e eventual queda nos preços das commodities. - Cenário fiscal segue no radar
O COPOM reafirma que acompanha os desdobramentos da política fiscal doméstica e seus impactos sobre os ativos financeiros e a condução da política monetária. O ambiente atual combina desaceleração econômica com expectativas inflacionárias elevadas e pressões no mercado de trabalho, exigindo abordagem cautelosa. - Justificativa para início da calibragem
O Comitê avaliou que o período prolongado de manutenção da taxa de juros em nível contracionista já produziu efeitos perceptíveis na desaceleração da atividade econômica. Esse contexto abriu espaço para iniciar ajustes na intensidade da política monetária, mantendo flexibilidade para alterações futuras conforme novos dados sejam incorporados. - Postura cautelosa e dependente de dados
Apesar do corte na Selic, o COPOM enfatiza que o ambiente atual é de elevada incerteza, o que exige serenidade e cautela. Os próximos passos do ciclo de calibragem dependerão da evolução dos conflitos geopolíticos, de seus impactos sobre inflação e atividade, e da trajetória das expectativas. - Composição da decisão
A decisão foi unânime entre os membros do Comitê, incluindo o presidente Gabriel Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira. - Conclusão do cenário apresentado
O comunicado indica que, embora tenha iniciado um ciclo de redução de juros, o Banco Central mantém postura prudente diante de um cenário complexo. A combinação de incerteza global, inflação acima da meta e expectativas desancoradas impõe limites ao ritmo de flexibilização da política monetária.
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Fonte: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/comunicadoscopom